A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) condenou a intervenção militar na Líbia, segundo o comunicado final da cimeira de dois dias, que terminou ontem na capital nigeriana, Abuja.
Em causa esteve a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que abriu caminho à criação de uma zona de exclusão aérea para “proteger a população civil líbia” das iniciativas militares do Governo do Presidente Muamar Kadhafi.
Os 15 países membros da CEDEAO decidiram ainda readmitir no seio da organização a Guiné-Conakry e o Níger, que tinham sido suspensos na sequência dos golpes militares que depuseram os regimes constitucionalmente no poder. A organização também anunciou subvenções de 30 milhões de dólares para a Guiné-Conakry e de 63 milhões para a Guiné-Bissau.
A cimeira da CEDEAO reuniu os Presidentes do Benin, Yayi Boni, do Burkina Faso, Blaise Campaoré, de Cabo Verde, Pedro Pires, da Guiné-Bissau, Bacai Sanha, da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, do Mali, Amadou Touré, da Nigéria, Goodluck Jonathan, do Senegal, Abdoulaye Wade, da Serra Leoa, Ernest Koroma, e do Togo, Fauré Gnassingbé. Os chefes de Estado do Ghana e da Gâmbia foram representados e a Costa do Marfim, Guiné-Conakry e o Níger participaram como observadores.
Nigéria continua à frente da organização regional
A 39ª Cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental escolheu a Nigéria para continuar na presidência da organização, pela primeira vez na história do bloco regional.
Nenhum dos 15 países que integram a CEDEAO ocupou a Presidência em três mandatos consecutivos, desde a fundação, em 1975.
Segundo os estatutos, os Estados-membros são eleitos para a Presidência por um período de um ano, prorrogável por mais um.
A Nigéria foi eleita para presidir à CEDEAO pela primeira vez em 2008, quando o Chefe de Estado era Umaru Yar’adua, cuja morte, em Maio do ano passado, conduziu à sua substituição pelo seu vice-presidente e actual Chefe de Estado, Goodluck Jonathan. A eleição da Nigéria foi feita no último dos dois dias de trabalhos da cimeira.
THURSDAY, 05 MAY 2011 08:12 WRITTEN BY VNN STAFF
A posição do governo de Bissau vem expressa em comunicado do conselho de ministros realizado extraordinariamente quarta-feira onde a situação na Líbia mereceu um amplo debate.
"O governo da Guiné-Bissau manifesta a sua solidariedade ao povo líbio e considera inaceitável e cruel os bombardeamentos da NATO naquele país, situação que excede largamente o mandato das Nações Unidas", lê-se no comunicado do executivo guineense.
Bissau, 05 mai (Lusa) -- O governo da Guiné-Bissau considera "cruel e inaceitável" os bombardeamentos da NATO contra Líbia e afirma ainda que estas ações excedem largamente o mandato concedido pelas Nações Unidas. A posição do governo de Bissau vem expressa em comunicado do conselho de ministros realizado extraordinariamente quarta-feira onde a situação na Líbia mereceu um amplo debate. |
por Paulo Gorjão, Publicado em 03 de Maio de 2011 | Actualizado há 20 horas
Quem diria que a decisão de se imolar pelo fogo de um tunisino faria cair, como um baralho de cartas, muito dos ditadores árabes?
A Gâmbia foi o primeiro país africano a reconhecer em Abril o Conselho Nacional de Transição (CNT), criado pelos rebeldes líbios em Fevereiro, como único representante legítimo da Líbia. A decisão da Gâmbia - um aliado de longa data na África ocidental de Muammar Kadhafi - tem sobretudo um valor simbólico, mas em todo o caso alerta para uma das facetas menos abordadas na mudança de regime em curso na Líbia: as suas implicações para a África subsariana, incluindo a lusófona.
Nas últimas duas décadas Kadhafi tem optado por uma estratégia de crescente afirmação na África subsariana, tanto no plano multilateral - por intermédio da União Africana (UA), na qual a Líbia é um dos membros mais influentes - como a nível bilateral.
A inevitável deposição de Kadhafi terá repercussões no âmbito da assistência financeira prestada por Trípoli e, por conseguinte, na orientação da política externa líbia para a África subsariana. Há uma forte probabilidade de o seu sucessor (oriundo do CNT ou com o seu aval) redefinir a política externa líbia, de modo a privilegiar as relações com a Europa, o Magrebe e o Médio Oriente, isto é, Norte e Este.
No âmbito da África subsariana, esta alteração estrutural tem como principais beneficiários a África do Sul e a Nigéria, uma vez que lhes permite reforçar a sua influência no continente africano. Recordo que não foi seguramente por acaso que estes dois países africanos, juntamente com o Gabão, votaram favoravelmente a Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que autorizou a comunidade internacional a estabelecer uma zona de exclusão aérea na Líbia.
Um terceiro beneficiário será Angola, pelas mesmas razões, embora em menor grau. Em sentido contrário, nos países lusófonos, os grandes prejudicados serão a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, beneficiários regulares, nas últimas décadas, da ajuda financeira de Kadhafi. As relações de proximidade do presidente Malam Bacai Sanhá com Kadhafi são conhecidas e este em diversas ocasiões deslocou-se em visitas oficiais à Líbia. De igual modo, depois da insurreição militar de Abril de 2010, não passou despercebido que uma das primeiras deslocações do general António Indjai, um dos líderes das movimentações e actual CEMGFA, foi à Líbia, onde foi recebido pelo próprio Kadhafi.
O padrão de proximidade repete-se com São Tomé e Príncipe. Eleito em 2001, o presidente Fradique de Menezes visitou a Líbia nos últimos anos em várias ocasiões. O primeiro-ministro Patrice Trovoada, pouco depois de ter sido eleito, em Agosto de 2011, escolheu a Líbia como destino de uma das suas primeiras deslocações oficiais ao estrangeiro.
Para Bissau e São Tomé, a deposição de Kadhafi não tem apenas como consequência custos de natureza financeira. A mudança de regime na Líbia acarreta também custos políticos, uma vez que lhes retira espaço de manobra no relacionamento com terceiros, nomeadamente com Angola e com Portugal.
Quem diria, em retrospectiva, que a decisão de um cidadão tunisiano de se imolar pelo fogo daria lugar a uma sequência de acontecimentos que conduziria à queda de diversos líderes autoritários e que teria impacto indirecto em locais tão distintos como Abuja, Bissau, Luanda, Pretória ou São Tomé?
Director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS)
Escreve à terça-feira
Nas últimas duas décadas Kadhafi tem optado por uma estratégia de crescente afirmação na África subsariana, tanto no plano multilateral - por intermédio da União Africana (UA), na qual a Líbia é um dos membros mais influentes - como a nível bilateral.
A inevitável deposição de Kadhafi terá repercussões no âmbito da assistência financeira prestada por Trípoli e, por conseguinte, na orientação da política externa líbia para a África subsariana. Há uma forte probabilidade de o seu sucessor (oriundo do CNT ou com o seu aval) redefinir a política externa líbia, de modo a privilegiar as relações com a Europa, o Magrebe e o Médio Oriente, isto é, Norte e Este.
No âmbito da África subsariana, esta alteração estrutural tem como principais beneficiários a África do Sul e a Nigéria, uma vez que lhes permite reforçar a sua influência no continente africano. Recordo que não foi seguramente por acaso que estes dois países africanos, juntamente com o Gabão, votaram favoravelmente a Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que autorizou a comunidade internacional a estabelecer uma zona de exclusão aérea na Líbia.
Um terceiro beneficiário será Angola, pelas mesmas razões, embora em menor grau. Em sentido contrário, nos países lusófonos, os grandes prejudicados serão a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, beneficiários regulares, nas últimas décadas, da ajuda financeira de Kadhafi. As relações de proximidade do presidente Malam Bacai Sanhá com Kadhafi são conhecidas e este em diversas ocasiões deslocou-se em visitas oficiais à Líbia. De igual modo, depois da insurreição militar de Abril de 2010, não passou despercebido que uma das primeiras deslocações do general António Indjai, um dos líderes das movimentações e actual CEMGFA, foi à Líbia, onde foi recebido pelo próprio Kadhafi.
O padrão de proximidade repete-se com São Tomé e Príncipe. Eleito em 2001, o presidente Fradique de Menezes visitou a Líbia nos últimos anos em várias ocasiões. O primeiro-ministro Patrice Trovoada, pouco depois de ter sido eleito, em Agosto de 2011, escolheu a Líbia como destino de uma das suas primeiras deslocações oficiais ao estrangeiro.
Para Bissau e São Tomé, a deposição de Kadhafi não tem apenas como consequência custos de natureza financeira. A mudança de regime na Líbia acarreta também custos políticos, uma vez que lhes retira espaço de manobra no relacionamento com terceiros, nomeadamente com Angola e com Portugal.
Quem diria, em retrospectiva, que a decisão de um cidadão tunisiano de se imolar pelo fogo daria lugar a uma sequência de acontecimentos que conduziria à queda de diversos líderes autoritários e que teria impacto indirecto em locais tão distintos como Abuja, Bissau, Luanda, Pretória ou São Tomé?
Director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS)
Escreve à terça-feira
| Guiné Bissau exige solução pacífica de conflito líbio |
26 de Março, 2011
Chefes de Estado e de Governo da Comunidade da África Ocidental analisaram a situação do bloco regional e questões internacionais
Fotografia: AFP
Publicado: 24/03/2011 | Por Redacção Zwela
Enfâse deve estar numa solução pacífica - Malam Bacai Sanhá
Por Lassana Cassamá, VoaNews
O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, reuniu-se com a embaixadora americana Márcia Bernicat com quem discutiu a situação na Líbia.
o chefe de estado guineense apelou a um cessar fogo e á busca de uma solução pacífica para a crise na Líbia.
Malam Bacai Sanha que partiu hoje para Abuja, capital nigeriana, em que participa na cimeira da CEDEAO, onde a situação na Costa do Marfim deve dominar as sessões de debate, lamentou o que está Falando aos jornalistas a diplomata norte americana reafirmou a posição de Washington, que assenta na resolução das Nações Unidas, visando proteger a população civil.
Márcia Bernicat considera, contudo, que o mandato da ONU visa com efeito garantir a cessação das hostilidades e garantia de uma solução pacífica.
Fonte: VoaNews
Por Lassana Cassamá, VoaNews
O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, reuniu-se com a embaixadora americana Márcia Bernicat com quem discutiu a situação na Líbia.
o chefe de estado guineense apelou a um cessar fogo e á busca de uma solução pacífica para a crise na Líbia.
Malam Bacai Sanha que partiu hoje para Abuja, capital nigeriana, em que participa na cimeira da CEDEAO, onde a situação na Costa do Marfim deve dominar as sessões de debate, lamentou o que está Falando aos jornalistas a diplomata norte americana reafirmou a posição de Washington, que assenta na resolução das Nações Unidas, visando proteger a população civil.
Márcia Bernicat considera, contudo, que o mandato da ONU visa com efeito garantir a cessação das hostilidades e garantia de uma solução pacífica.
Fonte: VoaNews

Bissau – Pelo menos 29 emigrantes bissau-guineenses chegaram terça-feira à tarde em Bissau provenientes da Líbia, na sequência da instabilidade sociopolítica neste país do Magrebe devido a uma rebelião armada, anunciou hoje (quarta-feira) a PANA, em Bissau.
“Chegámos bem graças a Deus. O percurso foi bom até a Gâmbia. Aliás, foi este país que apoiou a nossa saída da Líbia. Apesar de um péssimo acolhimento de que fomos vítima na Gâmbia chegámos bem graças a Deus”, afirmou um estudante bissau-guineense na Líbia, identificado apenas por Sanó.
Em entrevista à PANA, Sanó explicou que ele e os seus colegas estudavam num colégio em Tripoli, capital da Líbia, e não tinham informações sobre o real desenrolar da revolta armada contra o regime de Mouamar Kadhafi.
“Não havia entrada nem saída para ninguém em Tripoli”, explica o estudante, visivelmente atingido pelo cansaço da viagem.
“Decidimos abandonar a Líbia depois do fracasso das diligências feitas junto das Embaixadas portuguesa e brasileira em Tripoli. Ficámos sozinhos no colégio após a partida dos colegas das outras nacionalidades”, acrescentou.
Entretanto, o Secretário de Estado das Comunidades, Fernando Gomes Dias, explicou que o regresso destes cidadãos ao país foi possível mediante um acordo de cooperação bilateral entre a Guiné-Bissau e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
Relativamente ao futuro dos repatriados, Fernando Gomes Dias disse que Governo não tem condições para os apoiar financeiramente nem para assegurar a sua permanência no país.
Contudo, o Secretário de Estado das Comunidades garantiu que o Governo vai “mobilizar um fundo” do qual cada um dos elementos do grupo receberá uma soma em dinheiro antes de se juntar à família.