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Escrito por Fulgêncio Mendes Borges. Jornal Nô Pintcha   
Sexta, 13 Maio 2011 13:26
Hospital Nacional foi invadido por centenas de pacientes

Uma equipa dos médicos da Turquia está no país desde o dia 6 deste mês a conceder consultas gratuitas e oferecem medicamentos aos doentes guineenses no Hospital Nacional Simão Mendes e, a missão termina no dia 13.

O referido hospital foi invadido por centenas dos pacientes que vêm de quase todos os cantos do país, nomeadamente Bissau. Esta equipa de médicos turcos está no país no âmbito de um acordo de cooperação entre dois países ao abrigo do qual anualmente vem à Guiné-Bissau médicos turcos nas áreas da clínica geral, ortopedia pediátrica, cirúrgicas, ginecologia, oftalmologia, obstetrícia e outras doenças.
O médico oftalmologista Meno Nabicassa, da Ordem dos Médicos da Guiné-Bissau, sob o Nº63 disse que os trabalhos desta equipa turcos no país, com a colaboração dos médicos nacionais estão num bom caminho, “depois do apelo das rádios e os pacientes terem respondido positivamente principalmente visual”.
Por outro lado este médico disse que os guineenses tem um hábito de esperar só pelas ofertas dos estrangeiros, “com estes tantos números dos pacientes aqui no hospital à procura deste serviço parece-nos que os médicos guineenses não estão a prestar os seus serviços adequados, principalmente do serviço da oftalmologia que não tem no país”.
Nabicassa afirmou que o Ministério da Saúde Pública implementou este serviço da oftalmologia em toda parte do país, não há regiões do país que não tem atendimento da consulta de vista.
Este oftalmologista de carreira considerou de grave o comportamento dos pacientes que ficam em casa, até que os sintomas de insuficiência visual exacerbem, na esperança dos médicos estrangeiros com os seus medicamentos gratuitos. Segundo ele, nesta equipa dos médicos turcos só veio um médico para a área da oftalmologia e a sua intervenção é extremamente limitada; intervém somente na cirurgia dos pacientes sofrendo de cataratas, com o apoio dos nacionais que fazem as consultas e outras observações.
Segundo Meno Nabicassa, “a catarata é uma doença normal que pode ser tratada e operada no país pelos médicos nacionais sem problemas, no espaço de alguns minutos sem problemas, visto tratar-se de uma opacidade parcial ou total do cristalino ocular. Reafirmou que as pessoas que ficam em casa com ela (a catarata), à espera dos nossos parceiros, acabam por ficar cegas, isto é com uma insuficiência visual irreversível”, lamentou.
Aconselhou aos guineenses para não ficarem em casa com as doenças porque há casos que não podem esperar pelos estrangeiros nossos parceiros, devem ir aos Centros de Saúde afim de serem tratadas e curadas, porque a vista (olhos) é muito sensível.
No entender do Meno, este fluxo de pessoas que procuram esta equipa dos turcos é meramente pobre, não se fizeram esperar pelo apoio e, ainda por cima com medicamentos grátis, obrigou esta concentração das populações com seus problemas graves por causa da negligência; “muitos doentes que estão cá à procura destes serviços dos turcos, já passaram neste serviço de oftalmologia e, não foram curados devido à negligência dos mesmos, certos ‘intelectuais’ dizem aos seus filhos que é muito cedo para usar óculos”, lamentou amargamente.


Texto e fotos: Fulgêncio Mendes Borges
O PROJECTO GUINÉ-BISSAU: CONTRIBUTO NASCEU HÁ 8 ANOS
 
PROJECTO GUINÉ-BISSAU: CONTRIBUTO
 
Fernando Casimiro (Didinho)
didinho@sapo.pt
10.05.2011
Sou uma mescla de positivismo e realismo, o que por vezes, dificulta a apreciação e caracterização por parte de quem me quer definir.
Fernando Casimiro (Didinho)
Fernando Casimiro
A meu ver, ser positivo é bom; ser realista, não deixa também de ser bom. Porém, na maior parte das vezes, entre o positivismo e o realismo de um pensador, há julgamentos externos que, aceitando com naturalidade o positivismo, vêem no realismo a sua contradição.
O conflito de interesses, quiçá, a conveniência, põe sempre em causa os valores do realismo, vendo nele, um parente do negativismo.
Oito anos depois, ainda que não se façam referências à fonte e ao autor, os guineenses querem estar (e dizem-se) COMPROMETIDOS com a Guiné-Bissau; falam da GUINÉ-BISSAU POSITIVA e estão dispostos a CONTINUAR A TRABALHAR!
Oito anos depois, ajudamos a promover uma cultura de reflexão, de debate de ideias; uma cultura de cidadania na Guiné-Bissau!
Oito anos depois de ter criado o Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO, 10.05.2003 - 10.05.2011, não posso deixar de estar orgulhoso e de continuar a dizer que valeu a pena!
VAMOS CONTINUAR A TRABALHAR!

A vida só tem sentido se, para além de nós, outros também puderem viver...Didinho
Não me limito a fazer só a minha parte! Tento, igualmente, incentivar cada um a fazer a sua, em função da sua consciência, compromisso e responsabilidade para com o país e o Mundo. ASOLIDARIEDADE é um gesto nobre, o maior e o mais sentido! A INDIFERENÇA contraria o espírito e o conceito de SOLIDARIEDADE, por isso, sou contra a INDIFERENÇA e lamento pelosINDIFERENTES! Por nós próprios, porque ninguém vive sozinho neste mundo, sejamosSOLIDÁRIOS! Didinho
Cultivamos e incentivamos o exercício da mente, desafiamos e exigimos a liberdade de expressão, pois é através da manifestação e divulgação do pensamento (ideias e opiniões), que qualquer ser humano começa por ser útil à sociedade! Didinho
O primeiro compromisso de todos os guineenses deve ser para com a Guiné-Bissau. Cabe ao povo guineense a acção da Mudança! Didinho
Não tenhamos medo de fazer uma nova revolução na Guiné-Bissau. Não uma revolução com armas de fogo, mas a revolução da consciência cívica, a revolução de mentalidades, que dará ao nosso povo o direito à liberdade do saber, do conhecimento e, quiçá, do pensamento e da acção! É urgente fazer ver aos guineenses que o medo de mudar ontem, é a razão dos males de hoje e o medo de mudar hoje, será a razão dos males de amanhã... Didinho
Temos potencialidades, falta-nos disciplina! Precisamos de mais empenho, mais dedicação, mais seriedade, mais rigor.  Precisamos avivar mais o espírito patriótico. Temos que sentiro país...Temos que nos orgulhar do povo que somos e do país que é nosso. Temos que reconhecer que somos nós a principal solução para os nossos problemas. É preciso que continuemos a acreditar em nós próprios. Didinho
A politização é sinónima de consciência política nacional. Uma consciência política nacional em que as vertentes: social e institucional devem ser referências dos direitos e deveres dos cidadãos. Um povo que não tem noção do que é a política é um povo que está sujeito à demagogia, à manipulação. É um povo que não pode aspirar a ser participativo nas decisões que a ele próprio dizem respeito! Didinho
O medo priva-nos da liberdade! Didinho
O maior desafio para todos os guineenses é o de criar mecanismos de mudança para a Guiné-Bissau! Didinho
Quando expomos opiniões nossas, a apreciação na sua forma crítica ou elogiosa por parte de quem as lê e interpreta deve ser sempre motivo de análise, ponderação e consideração da parte de quem escreve. Quem escreve precisa ler ou ouvir comentários sobre os seus artigos. Precisa saber como é que a sua opinião é recebida por outras sensibilidades e, acima de tudo, conseguir detectar o grau de assimilação de quem está do outro lado. Quem escreve em jeito crítico, como eu, não espera nem pretende unanimidade na forma de pensar dos que o vão ler. O espírito do debate de ideias é essencialmente o de sensibilização! Sensibilizar para provocar reacções positivas a nível das capacidades de reflexão e acção das pessoas. Quem escreve, lança ideias para que em vez de uma cabeça, milhares de cabeças se debrucem sobre os mais variados temas e assim, milhares de pontos de vista ajudarem melhor nas tomadas de decisão e na forma de encarar os problemas com que as Sociedades e o Mundo se deparam. Didinho
As pessoas, infinitamente, à frente, na linha de importância da vida! Didinho

O HOMEM, PRECISA ENTENDER QUE A RAZÃO PRINCIPAL DAS GUERRAS E CONFLITOS NO MUNDO,  DERIVA DO FACTO DE NÃO ACEITAR O PRÓXIMO COMO SEU IRMÃO E NÃO REVER NELE A ESSÊNCIA DA SUA PRÓPRIA RAIZ. Didinho
NÃO DEVEMOS APENAS DIZER QUE SOMOS CAPAZES DE FAZER ISTO OU AQUILO, PARA QUE AS NOSSAS CAPACIDADES SEJAM RECONHECIDAS. DEVEMOS, ACIMA DE TUDO, MOSTRAR NA PRÁTICA O QUE SOMOS CAPAZES DE FAZER!  DIZER NÃO É SINÓNIMO DE FAZER E ESTÁ AO ALCANCE DE QUALQUER UM. FAZER, IMPLICA MOSTRAR TRABALHO E TRABALHO É COMPETÊNCIA... Didinho

A MAIOR RIQUEZA DA GUINÉ-BISSAU SÃO OS GUINEENSES! PREOCUPEMO-NOS POIS, COM A VALORIZAÇÃO E APROVEITAMENTO DOS NOSSOS RECURSOS HUMANOS, EM PRIMEIRO LUGAR, PARA QUE TODAS AS OUTRAS RIQUEZAS POSSAM CONSTITUIR MAIS VALIAS PARA O PAÍS! Didinho

SE TODOS UNIREM FORÇAS E ESFORÇOS, A ONDA DE MUDANÇAS EM CURSO NO MUNDO, PODE DIRECCIONAR-SE PARA A DEFESA DOS DIREITOS DAS MULHERES E CRIANÇAS DO SEXO FEMININO, COM VISTA A REGULAMENTAÇÕES TENDENTES A PÔR FIM À MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA, ENCOBERTA QUE ESTÁ SOB FALSOS ARGUMENTOS RELIGIOSOS, SUPORTADOS POR POLÍTICOS QUE DIZEM RESPEITAR OS DIREITOS HUMANOS, MAS QUE NA VERDADE, SÃO CÚMPLICES DOS ATROPELOS AOS DIREITOS HUMANOS!Didinho 06.02.2011
O MEU PARTIDO É A GUINÉ-BISSAU!


COMENTÁRIOS AOS TEXTOS DA SECÇÃO EDITORIAL
VAMOS CONTINUAR A TRABALHAR!
associacaocontributo@gmail.com
www.didinho.org
   CIDADANIA  -  DIREITOS HUMANOS  -  DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Guiné-Bissau: Disputa de terreno termina com dois mortos
2011-05-10 12:28:44
 

Bissau – As populações de Embassiná e Djaal, na região de Biombo, no norte da Guiné-Bissau, evolveram-se este fim-de-semana num confronto que resultou em dois mortos e sete feridos graves.
Em causa está a disputa pela posse de um terreno. Trata-se de um lugar que tem plantações de cajueiros, principal produto da economia guineense, e onde se praticam também outras actividades agrícolas. As partes envolvidas usaram catanas, paus e outros objectos cortantes.

Devido à delicadeza do assunto, as autoridades levaram até ao local um dispositivo de segurança, composto por agentes da Polícia da Ordem Pública e elementos das Forças Armadas. A presença da força de ordem no terreno, desde há três dias, acontece enquanto decorrem as negociações entre as duas povoações vizinhas, mediadas pelas estruturas governamentais.

As informações disponíveis apontam que o Executivo pretende delimitar a zona em disputa, dividindo o espaço conforme as razões ou argumentos que vão ser apresentados. O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Antonio Indjai, deslocou-se ao local, tendo apelado ao serenar dos ânimos entre os populares. O mesmo apelo foi feito pelas outras figuras civis que se encontravam no espaço de conflito.

A disputa de terreno na Guiné-Bissau tem sido um dos maiores problemas sociais nas comunidades rurais, sobretudo quando se tratam de espaços aráveis.

Sumba Nansil
(c) PNN Portuguese News Network


Chefe de estado maior das forças armadas deslocou-se ao local

Por Lassana Cassamá | Bissau Segunda, 09 Maio 2011

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Dois mortos na Guine Bissau

Dois mortos e vários feridos graves é o resultado de um confronto entre populações de duas aldeias na Guiné-Bissau.

O confronto envolveu os habitantes das aldeias  Embassiná e Djaal e deve-se a disputas sobre o uso de terras agrícolas, particularmente de cajueiros, o principal produto agrícola do país.

Nos confrontos foram usadas catanas  e outras armas e as autoridades tão agora a tentar repôr a calma tendo unidades das forças de segurança sido enviadas para o local.
O chefe de estado maior das forças armadas guineeses, António Ndjai, deslocou-se também ao local.

O governo está agora a estudar a possibilidade de efectuar uma divisão adminsitrativa das terras em disputa para tentar resolver o problema.

Ouça a reportagem de Lassana Cassamá

Instituto fecha porque funcionária recorreu a divindade para cobrar salários

07 MAI 11 às 11:11

O Instituto Nacional de Investigação e Tecnologia Aplicada [ainda por cima! ...] (INITA) da Guiné-Bissau está fechado desde quarta-feira porque uma funcionária da limpeza recorreu ao irã (divindade da mitologia africana) para exigir dois anos e sete meses de salários em atraso.
Depois de vários pedidos para que lhe fosse pago o salário e sem possibilidades financeiras para recorrer aos tribunais, a funcionária contratada do INITA, decidiu recorrer ao irã para cobrar aquilo a que tem direito, conta a Lusa.
«Falei com vários ministros e vários diretores-gerais, mas ninguém quis resolver o meu problema. Como não posso, e sei que se for à justiça ainda levo mais tempo e se calhar ainda acabo presa, decidi pedir ajuda ao irã da minha aldeia», explicou Nene Cá aos jornalistas.
O resultado, para já, é que, desde quarta-feira que a sede do INITA, em Bissau, está fechada, porque Nene Cá instalou o irã à porta da instituição e os funcionários não se atrevem a entrar com medo que a divindade lhes possa causar algum mal na vida.
«Eu não me responsabilizo por aquilo que possa acontecer. Se me pagarem vou lá e tiro o irã, sem problema, caso contrário nem eu mesma posso tirá-lo de lá», sublinhou Nene Cá, que, na quinta-feira, foi levada à sede da Polícia Judiciária, que a tentou demover dos seus intentos.
«Levaram-me à sede da polícia, mas disse-lhes que não posso tirar o irã da porta porque prometi que só sairia de lá caso eu recebesse o meu dinheiro, porque vou ter que dar ao irã um porco e aguardente», esclareceu.
Publicado: 5/05/2011 | Por Redacção Zwela


Image
Foto: Malam Bacai, Presidente da Guiné-Bissau. (Lesafriques)
Por Lassana Cassamá, VoaNews

Na Guiné Bissau aumenta a inquietação devido ao drástico aumento de preços dos produtos de primeira necessidade.

A Associação de Consumidores da Guiné Bissau planeia realizar na próxima semama uma marcha para protestar contra esses aumentos que deverá culminar com um encontro com primeiro ministro Carlos Gomes Júnior.

O sindicato dos funcionários públicos quer também aumentos salariais para compensar pelo aumento dos preços dos produtos básicos.

O nosso correspondente Lassana Cassamá disse-nos que nos últimos tempos têm aumentado as críticas ao governo pela sua falta de acção neste capítulo.

"Inércia e passividade" são algumas das palavras usadas para criticar o governo guineense.

Alguns analistas afirmam contudo que o governo guineense faz face a decisões difíceis pois quer evitar impôr medidas administrativas para controlar os preços o que pode resultar na falta de incentivos para a sua comercialização.

O sindicatos e a associação de consumidores afirmam contudo que a "livre concorrência não implica a anarquia no mercado".

Na semana passada houve uma reunião entre o governo e "operadores económicos" onde o governo apelou aos comerciantes para tentarem atenuar as subidas dos preços.

O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, afirmou hoje ser uma tendência mundial o atual aumento de preço de produtos alimentares que se verifica agora no país e que tem motivado a reação da população nos últimos dias.

O presidente guineense, que respondia às perguntas dos jornalistas no final de uma visita ao Supremo Tribunal de Justiça e a alguns tribunais de círculo de Bissau, considerou que na Guiné-Bissau a subida dos preços até aconteceu mais tarde do que noutros países devido à ação do governo.

Fonte: VoaNews
2011-05-05 12:35:44



Bissau - Associação do Consumidores de Bens e Serviços guineense (ACOBES) promoveno dia 11 de Maio, uma marcha de protesto contra a subida do preço dos produtos de primeira necessidade.

Sob o lema «todos contra o agravamento do nível de vida dos cidadãos», a marcha terá início em frente à discoteca «Bambu», e deve terminar frente ao Palácio do Governo, em Brá, nos arredores da capital, onde vai ser entregue ao Executivo o chamado «Caderno de Reclamação de Consumidores».

De acordo com o Presidente da ACOBES, Fodé Caramba Sanhá, no referido caderno reivindicativo constam entre outra reclamações, o controlo sistemático de compra e venda no mercado, extinção imediata da subvenção obrigatória imposta pelo Ministério do Comércio aos consumidores a favor da Câmara de Comércio, Indústria, Agricultura e Comércio, estabelecimento de um plano de abastecimento do mercado com géneros e artigos da primeira necessidade, uso do caderno de reclamação do consumidor no mercado nacional e, por último, a criação do espaço do Conselho Nacional Consultivo de Consumo, conforme a disposição de qualidade de diálogo e regulação social, do Programa de Qualidade, Acreditação e Normalização da União Económica Monetária Oeste Africana (EUMOA), para o consumidor destinatário final.

«No passado mês de fevereiro a actualidade de mercado foi dominada sobre o preço da farinha e do pão, houve tentativa de redução do tamanho que depois se ajustou em detrimento da manutenção do preço de 100 F.cfa. Agora o pão voltou ao tamanho normal, com um aumento de 100%, ou seja custa 200 F.cfa, enquanto a farinha continua a subir de 16 mil F.cfa para 37 mil F. cfa, o que confirmou a posição dominante e de força dos importadores face a um estado, desarmando-o das suas ferramentas de controlo de mercado», refereiu Caramba Sanhá, numa retrospectiva sobre a actual situação de aumento de preços de produtos da primeira necessidade.

Sumba Nansil
(c) PNN Portuguese News Network

Pão nosso de cada dia ... ka tem! 
Bissau - O preço do pão, um dos principais produtos de consumo na Guiné-Bissau, voltou a subir de 100 para 150 francos CFA (de 0,15 para 0,22 euros), enquanto um saco da farinha de trigo de 50 quilogramas já é vendido a 30 mil francos (45,7 euros). 

Mesmo assim o açúcar é o produto que mais tem subido de preço, há três meses, naquele país. No início do ano, um saco de 50 quilogramas ainda oscilou entre 15 mil a 17 mil francos CFA (entre 22,8 euros e 30 euros).

Nos últimos dias, a oscilação do preço é tanta que há quem venda um saco de açúcar por 35 mil francos (53,3 euros) ou mesmo por 38 mil francos CFA (58 euros). 

O presidente da Associação de Defesa dos Consumidores de Bens e Serviços (Acobes), Bambo Sanhá, acusa o governo "de nada fazer, porque permitiu que, em alguns casos, haja subidas de 80 por cento" nos preços dos principais produtos. 

A subida de preço varia por zona e mercado do país. Por exemplo, no mercado do Bandim, em Bissau, principal centro comercial da Guiné-Bissau, um saco de açúcar custa 35 mil francos (53,3 euros). Já no mercado do Caracol, também na capital guineense, alguns comerciantes estão a vendê-lo por 36 mil ou 37 mil francos CFA (54,8 euros ou 56,4 euros). 

Mas nas ilhas Bijagós um saco de açúcar de 50 quilogramas não se compra, agora, por menos de 38 mil francos CFA (58 euros). Os comerciantes alegam que estão a comprar o produto "a preços altos em Bissau". 

Contudo, o preço do pão também não tem parado de oscilar. No mesmo dia, pode custar 100 francos CFA (0,15 euros), durante o dia, e à noite ser vendido por 150 francos CFA (0,22 euros).  

Talata Banorá, da associação de panificadores de Bissau, disse à Lusa que "houve um dia que faltou pão", porque, os profissionais "decidiram parar de trabalhar para aquecer o forno", numa alusão ao pouco lucro que afirmam ganharem no negócio. 

"Uma pessoa compra a farinha e o açúcar a preços altos e depois não pode vender o pão no preço justo, para continuar a trabalhar. Muitos decidiram parar de trabalhar para aquecer o forno", assinalou Banorá, originário da Guiné-Conakry, mas residente em Bissau há mais de dez anos. 

Normalmente, são os profissionais originários da Guiné-Conakry quem domina a indústria panificadora caseira na Guiné-Bissau. 

O presidente da Acobes não tem dúvidas em atribuir as culpas pela "subida exorbitante dos preços" tanto do pão, como do açúcar ou da farinha ao governo, que não quer saber do assunto e tem permitido "que haja uma anarquia total na fixação dos preços" pelos comerciantes.

Fonte: site do jornal Nô Pintcha (www.jornalnopintcha.com). Visite!
Escrito por Ibraima Sori Baldé   
Sexta, 29 Abril 2011 15:55
Governo adquire dois navios para transporte de pessoas e cargas

Se não houver alterações de última hora, até ao próximo dia 20 de Maio, dois navios de transporte de pessoas e cargas vão chegar ao país, minimizando assim as dificuldades com que o sector se depara. Preocupado com a situação do transporte marítimo, o Governo adquiriu as duas embarcações por um valor de 1.800 milhões euros.
Em declarações à imprensa, à margem do lançamento da primeira pedra do projecto de pavimentação do recinto do Porto Comercial de Bissau, realizado no dia 27 de Abril, o secretário de Estado de Transportes e Comunicações informou que se tratam de dois navios típicos para as localidades onde não haja porto.
José Carlos Esteves lembrou que a quase totalidade dos portos na zona Sul foram construídos depois de independência, sendo que nas ilhas também a maioria dos quais se encontram em estado muito avançado de degradação. Fez saber que as embarcações podem atracar nos cais ou nas praias, porque têm a possibilidade para navegar até uma profundidade de 1,5 metros.
Desde já, ele avançou com o nome dos barcos ora comprados: um chama-se “Bária” (uma localidade do sul do país) e o outro “Pecixe” (povoação do norte).  
O governante indicou que os aparelhos estão devidamente equipados, apontando o exemplo de “Bária” que tem uma capacidade para transportar um total de 420 toneladas, incluindo 56 viaturas tipo automóvel. Tem cabines turísticas com a lotação para 300 pessoas, possuindo ainda oito dormitórios, um bar e com todos os equipamentos de navegabilidade para a costa.
Tem uma dimensão de 60.36m x 12.30m x 2.25m, com a capacidade de armazenar 30 mil litros de combustível. Tal como o outro, é de fabrico grego. Foi construído em 1975 e restaurado por duas vezes, nomeadamente em 1989 e 2004.      
Por seu lado, o “Pecixe” – o mais pequeno – tem a capacidade para carregar 70 toneladas em bruto, incluindo 22 viaturas e 150 passageiros. Fabricado em 1988, na Grécia, a embarcação tem a dimensão de 30m x 10.5m, e pode armazenar 13 mil litros de combustível.
No entanto, Esteves informou que o contrato de compra e venda já foi assinado e os 30 por cento de pagamento feitos, acrescentando que a outra parte já foi agendada pelo ministro das Finanças. “Os nossos técnicos estão na Grécia. Quando for assinada a acta de recepção de que o navio está tecnicamente bom vamos emitir os restantes 70 por cento para que as embarcações possam vir para Bissau, onde devem chegar o mais tardar até 20 de Maio”, adiantou.
Pegando nas palavras do secretário de Estado, que acredita que o Governo fez “uma boa compra”, os dois barcos vão fazer face à falta de transporte marítimo no país, na medida em que deslocar-se-ão ao Sul, Norte e Ilhas Bijagós. Segundo ele, os mesmos vão facilitar o desencravamento da produção agrícola na zona Sul, fazendo ligação Cacine-M’Pugda-Catió-Enxudé-Bissau.
Indicou que o “Bária” vai fazer fretes para Bolama e Bubaque, domiciliando nesta última cidade, com vista a fazer ligação inter-ilhas. “Outro navio vai a Bubaque e vamos criar rotas para ir à zona Norte, nomeadamente Pecixe e Jeta para também poder desencravar aquela área. Vamos priorizar esta zona. Os dois navios vão cobrir a nível interno”, garantiu, afiançando que, com este plano, o problema do transporte marítimo fica resolvido, restando apenas a componente que tem a ver com a cabotagem sub-regional.

Ligação com os países emergentes
“Falamos de uma embarcação que pode transportar até 10 contentores, saindo de Bissau para Banjul, Dakar, Praia e Conakri. Isso permite-nos ligar com os países emergentes, nomeadamente China, Índia, Dubai e Brasil. Brasil tem linha directa com Cabo Verde; China com o Senegal; Índia com a Guiné Conakri; depois há um conjunto de países europeus com linha directa com Banjul”, afirmou o secretário de Estado de Transportes e Comunicações.
Havendo um navio nacional que faz estas ligações todas, adiantou, significa que os nossos comerciantes podem importar produtos a partir desses países para Bissau, fazendo transbordos sem custos de camiões. Lembrou que, actualmente, um camião de Dakar para Bissau tem o custo de 1,5 milhões por contentor, enquanto que no barco os valores podem ir até 300 euros. Por isso, está convencido que essas medidas vão facilitar na criação de um ambiente de negócios e permitir que os comerciantes guineenses tenham acesso a outros mercados mais baratos. “O nosso objectivo é sempre criar um ambiente de negócios e desenvolver o nosso mercado nacional, sendo o transporte um factor fundamental para isso”.
E sendo a Guiné-Bissau um país costeiro, ele acha que se deve começar pelo transporte marítimo e depois ir para “os mais complexos” que é o transporte aéreo e outras modalidades.
Para quem não sabe, a compra desses navios pode constituir uma surpresa. Mas, de acordo com José Carlos Esteves, é uma das actividades constantes no Programa do Governo, a aquisição de embarcações para a cabotagem nacional e outras para a sub-região, na base de execução orçamental de dois anos, que permitiu o Estado, com o apoio bilateral de Angola, disponibilizar cerca de dois milhões de euros para a obtenção desses barcos.  
   
Pavimentação do Porto Comercial de Bissau 
Entretanto, a primeira pedra do Projecto de Pavimentação do recinto do Porto Comercial de Bissau foi lançada oficialmente no passado dia 27. Trata-se de um plano para pavimentar mais de 45 mil metros quadrados, estimado em pouco mais de 3.8 biliões de francos CFA. O mesmo atende aos modernos conceitos de infra-estruturação do principal porto de comércio com exterior e vai agregar ao terminal da capital uma capacidade de movimentação de mais de 72 mil contentores.
A pavimentação e ampliação dos parques de contentores, incluindo as rodovias de circulação do recinto portuário; a execução e expansão da rede de abastecimento de água potável; a reabilitação e ampliação da rede de drenagem e esgotos de água pluvial são algumas das empreitadas da obra.  
Contempla ainda a aquisição e instalação de duas básculas electrónicas para a pesagem de cargas dedicadas à importação e exportação, assim como instalações das redes de telecomunicações e eléctrica de baixa tensão.  
O projecto é financiado pelo Banco da África Ocidental (BAO, Guiné-Bissau) e a própria APGB, cujos empreiteiros são as empresas ASCON Lda. e a Água, Saneamento e Construções Lda. A execução das obras deverá durar cerca de 16 meses, com a entrega prevista para Agosto de 2012.

Tornar Porto de Bissau altamente competitivo
A cerimónia de lançamento foi presidida pelo ministro das Infra-estruturas, em representação do Primeiro-Ministro, na presença de alguns membros do Governo, deputados, funcionários da Administração dos Portos da Guiné-Bissau (APGB) e outros convidados.
A ocasião serviu para José António Cruz de Almeida afirmar que a modernização dos Portos de Bissau constitui uma prioridade do actual Governo, na medida em que mais de 80 por cento de todas as mercadorias movimentadas no país passam por ai. Dai que, segundo ele, há uma necessidade de se investir cada vez mais no porto e no sistema portuário, com especial destaque para aqueles de cabotagem, situados no interior do país, particularmente no Sul.
Nesta perspectiva “evolutiva de bem servir”, prosseguiu, o Governo pretende adquirir mais dois navios (entretanto já supracitados) para fazer ligações marítimas com todas as zonas insulares e permitir maior flexibilidade e fluidez no intercâmbio de produtos e mercadorias entre os centros urbanos e as diversas regiões. Ou seja, criar condições mínimas indispensáveis para o desenvolvimento do interior e promover o crescimento económico da Guiné-Bissau.
Cruz Almeida referiu que é notório o desafio de fazer mais e melhor, de assegurar os trabalhos de dragagem e balizagem ao longo do canal do Geba, por forma a garantir a entrada e saída dos navios em condições ideais de segurança, tornando o canal navegável 24 horas por dia.
Indicou ainda que é intenção das autoridades guineenses desenvolver a cabotagem nacional, formar técnicos portuários “altamente qualificados”, incrementar investimentos estrangeiros, através de parcerias público-privadas, ou seja, modernizar e tornar altamente competitivo o Porto Comercial de Bissau.
Na sua opinião, vencer os referidos desafios está nas mãos de todos, pelo que encorajou a APGB a manter a sua “boa performance financeira” e na mobilização de fundos, na certeza de que o Executivo fará todo o esforço necessário para a materialização desses objectivos.  

Recuperação do navio “Sambuia” em vista
O secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, na sua intervenção, disse que não será novidade o facto de a Guiné-Bissau ser um país marítimo pela sua expressão geográfica, mas que, no entanto, não consegue valorizar o mar como um importante recurso, criador de rendimento e de riqueza.
José Carlos Esteves considera que não podem existir condições favoráveis ao negócio na Guiné-Bissau se, no seu fundo, não existir um forte factor portuário com infra-estruturas modernas para atrair as indústrias dos transportes marítimos, cada vez mais exigentes. “O Porto de Bissau tem vivido problemas crónicos de organização e competitividade, problemas esses que ainda não estão verdadeiramente solucionados. Por isso, consideramos a execução deste projecto particularmente importantes”, atirou.
Apontando a estimativa de um estudo, esse responsável revelou que o Porto de Bissau estará em condições de triplicar a actual capacidade de estocagem de contentores e mercadorias, já no próximo ano. Assim, garantiu que o local vai responder ao aumento do tráfico de contentores nos últimos anos e permitir ao país disputar a quota do mercado com os seus congéneres da sub-região.
Anunciou para os próximos tempos a execução das obras de dragagem do porto e da zona de acesso e de ancoradouro, a reabilitação de defesas do cais, a recuperação do navio que chamou de balizador “Sambuia”, bem como a criação do Instituto Marítimo Portuário, na qualidade de órgão regulador por excelência, para dar novo corpo jurídico institucional ao sector e, consequentemente, a especialização da APGB na operação da actividade portuária.

Não há crescimento sem investimento
Por seu turno, o director-geral da APGB anunciou que, apesar da crise financeira internacional, a sua instituição conseguiu apresentar um balanço financeiro “altamente positivo” em 2010, algo que, a seu ver, permitiu encetar contactos com os estabelecimentos financeiros nacionais e que resultaria na concessão de uma linha de crédito na ordem dos 2.5 biliões de francos CFA para a concretização desta “gigantesca” obra.  
Apesar de um défice de 1.3 biliões de francos, Mário Mozante da Silva disse que a APGB, consciente da importante de pavimentação do Porto de Bissau, está determinada a manter o nível da performance financeira, de modo a garantir a cobertura total do valor em causa. Ele informou que os estudos técnicos para a realização desta obra foram financiados pela “Fundacion Puertos” de Las Palmas (Espanha), no quadro de cooperação bilateral inter-portuária.
Mozante da Silva indicou ainda que, actualmente, a APGB goza de um parque para cerca de cinco mil contentores, não esquecendo de evocar os constrangimentos que os utentes do porto enfrentam, sobretudo no período de campanha de exportação da castanha de caju.
E com a pavimentação do recinto portuário, disse que a sua instituição passará a ter uma capacidade de estocagem de mais de 72 mil contentores e a beneficiar de uma redução em cerca de 60 por cento nas avarias com os equipamentos e respectivos tempos de rotação de máquinas e de espera de navios no cais. Tudo isso, além de proporcionar uma “poupança significativa” em termos de encaixe financeiro.  
No seu ponto de vista, não há crescimento sem investimento. E para crescer, adianta, é preciso criar infra-estruturas que visem impulsionar a economia nacional e tornar o Porto Comercial de Bissau mais competitivo.



Texto: Ibraima Sori Baldé
Foto: Pedro Fernandes


Actualizado em Sexta, 29 Abril 2011 18:10
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